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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O PODER DA TOGA X O PODER DO VOTO

Num país com partidos sem ideologia e políticos fisiológicos o Judiciário dita as regras

Não obstante ufanar ser um gigante em democracia, o Brasil nunca gozou da plenitude democrática, haja vista ser a nossa República inaugurada por donos escravos que se revoltaram contra a coroa que assinou a lei áurea os fezendo perder a vergonhosa mão obra escravocrata.

Os ideais republicanos nunca foram o pendão real da maioria dos postulantes aos cargos políticos da República Federativa do Brasileira, mas o pano de fundo que rege o pensamento político partidário sempre esteve ligado a oligarquia ou a aristocracia.

O povo que detém o poder pensa usufruir do escrutínio secreto para escolher seus representantes, todavia são surpreendidos com o desprazer de ver sua vontade sendo viciada pelo caixa das grandes empresas e pelo lobby das grandes corporações cujos dirigentes são as mãos que movimentam as marionetes que atuam nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e até no Congresso Nacional, Claro, com raras exceções que geralmente se tornam voto vencido.

Uma coisa preocupa:

Jovens enaltecem a ditadura e alguns até advogam a sua volta por terem a falsa ideia de que ela traria melhores dias. É bem provável que tais assim pensam, porque não viveram na época da ditadura ou não foram perseguidos por ela;

A opinião pública joga luz em inquéritos e promove julgamento antecipado de processos que deveriam correr em segredo de justiça;

Nos Tribunais superiores Precedentes são criados onde supostamente não existem leis e tais precedentes se tornam normas cogentes e "erga omnes" em todo território nacional;

A economia fracassa, a bolsa cai, o dólar sobe as empresas entram em falência, os empregados são demitidos, a justiça do trabalho fica abarrotada;

O Brasil hoje conta com 34 partidos políticos devidamente registrados, cujos idealizadores são os mesmos figurões da velha polícia que se fazem representar por terceiros e cuja ideologia da maioria deles é a barganha por cargos comissionados, verba para o fundo partidário, verba para emendas parlamentares e tempo de televisão para o programa político na campanha eleitoral;

É notório o ativismo legislativo do judiciário nos últimos tempos, certo é que o tribunal tem legislado em várias matérias no lugar das casas legislativas e o poder da toga está prevalecendo sobre o poder do voto;

Enquanto isso os “representantes do povo” no Congresso Nacional varam a noite na presença da grande mídia, com discursos inflamados defendem suas teses fascistas, manobram, votam e aprovam a diminuição menoridade penal.

Pior de tudo é que muitos não dão conta de que a democracia de um país não está ligada ao número de partidos políticos que esse país possui, mas necessariamente pelo poder que o seu povo tem de se fazer representado em todas as esferas do poder por aqueles que foram eleitos através do escrutínio secreto.

Em uma república organizada o legislativo legisla, o Executivo executa e o judiciário julga, observando-se apenas raras exceções. E essa ordem não pode ser mudada sobre pena de criarmos uma tirania ou uma anarquia ao invés de democracia.