O poder econômico muda a lei que rege os destinos da sociedade, mas não
consegue mudar o pensamento dos indivíduos.
Todavia o indivíduo que faz parte de uma sociedade submetida à uma ideologia
pregada de forma sistêmica e massificada, passa a ter como pensamento próprio
até aquilo que um dia foi para si repugnante e sórdido.
Daí dizer que o legislador não é necessariamente um pensador, mas apenas um agente do poder que normatiza o pensamento que tornou-se um fato social
contrário aos ditames dos mais fortes do povo.
Nesse mesmo diapasão, podemos afirmar que fazer o indivíduo pensar em
determinada direção influencia mais a sociedade, do que criar leis que obrigue
o indivíduo negar aquilo que ele tem por certo.
Ou seja, o orador e o mestre moldam mais a sociedade do que o legislador,
nesse aspecto o poder da palavra sobrepõe o poder da caneta, pois um povo
doutrinado e determinado, quebra amarras, faz guerras, muda os legisladores,
depõe o rei e substitui os magistrados.
Acho que foi até por isso que um Grande Orador, em um de seus discursos, ao
invés de mandar criar leis e preceitos, apenas disse:
"Ide e ensinai..."